Escrever é um ato solitário. Disto todos sabem, mas a solidão que rodeia a escritura de um livro vai além daquele momento em que as letras começam a surgir, porque há um momento em que você sente (bom, este é meu caso) a necessidade de que leiam o que você está escrevendo, que falem sobre aquilo que você muitas vezes duvida se presta.
E há não uma solidão, mas solidões. Porque enquanto ao escrever poemas você pode mostrá-los pouco a pouco e ir recebendo um retorno de uns parcos leitores (um amigo paciente, um familiar que dá bobeira e que lê um pouco mais), escrever contos e tê-los ouvidos supõe a existência de ouvintes muito mais pacientes. Agora, que voltei à tarefa que me propus de escrever um romance, sinto a maior das solidões. Saber como está ficando o romance é algo complicado, porque você está reescrevendo tudo a todo tempo e transmitir o conceito é mais ou menos fácil, mas daí a ler algo para que te digam como está…
E assim vamos: solitários, entre letras, brincando de sofrer no silêncio.

