De volta das trevas+poema natalino

Música de fundo: John Len­non — So this is Christmas 

Duas sema­nas não pare­cem muita coisa, mas quando se trata de um ser­vi­dor fora do ar e do pânico de per­der tudo o que já se pro­du­ziu num blog, podem crer, são uma eter­ni­dade. O site ficou fora do ar por mais ou menos esse tempo e desde então minha comu­ni­ca­ção tem sido caó­tica, já que o email do ser­vi­dor tam­bém foi pro pur­ga­tó­rio junto com o site. Ainda bem que as aulas já esta­vam no fim, por­que o dano pode­ria ser maior, com alu­nos em busca de mate­rial no site (o que no final das con­tas acon­te­ceu, mas só por um dia).

Começo de férias, nor­mal­mente faço um balanço da bibli­o­teca, volto a escre­ver mais. Quero reto­mar a nar­ra­tiva que estou escre­vendo e o livro de con­tos. A pri­meira tem um nome quase defi­ni­tivo: Estran­geiro no labi­rinto. Não é o melhor título, mas acho melhor que só Labi­rinto. O segundo vai se cha­mar Espa­ços vege­tais e outros con­tos. Tirando um poema que escrevi, com tom nata­lino, não tenho escrito muita poe­sia. Entre safra, creio. Ainda rumi­nando o [des­vir­tual pro­vi­só­rio]. Em breve notí­cias sobre ele. Quem não com­prou, compre.

Eis meu poema de Natal:

Ó SER REBANHO
Ó ser rebanho
dei­tar sobre as lâminas
dos relógios
com o silí­cio atado
à seda do tédio
Ó ser rebanho
repou­sar papoulas
nas pál­pe­bras coloridas
das colombinas
fan­ta­si­a­das de velhas
Ó ser rebanho
sor­rir sobre o túmulo
das der­ra­dei­ras acácias
cra­ve­ja­das pelo teleprompter
do Jor­nal Nacional
Ó ser rebanho
recor­tar o chão do shopping
com a banha maciça do
meu olhar
de que­ru­bim ascépitico
Ó ser rebanho
repe­tir a pala­vra sim
ao som de Vivaldi
enquanto o horizonte
desaba sobre
o pára-brisas fechado
Ó ser rebanho
tomar o chá das cinco
de qua­tro na Academia
espe­rando três pala­vras que me digam
que tudo não é $onho
Ó ser rebanho
esque­cer de tudo
mer­gu­lhar no nada
recriar o mundo
meu mundo playmobil
meu paraíso anfetamina
enquanto fito a beleza redentora
das cri­an­ças plásticas
em chamas