Quando eu era pequeno achava que circo era um lazer ao alcance de todos. Lembro dos circos que apareciam vez por outra no bairro, sua magia em forma de palhaços, malabaristas. Quem não lembra de Monga? Mas os circos de bairro estão cada vez mais desaparecendo. Não lembro a última vez em que vi uma tendinha surrada daquelas por aí. Porque agora, como tudo, circo também é negócio, e dos bons. O Cirque du Soleil chegou, armou seu terreiro, ficou sua bandeira, vai faturar milhões em cima da classe média alta que de Pernambuco e adjacências e vai embora, deixando o espaço do Memorial Arcoverde aos frangalhos, com algumas árvores a menos, que as ‘otoridades’ juram que serão replantadas. Duas matérias me agradaram muito e falam sobre as arbitrariedades em torno a instalação do cirquinho do sol. Uma está aqui e foi de onde tirei a imagem usada acima. A outra foi publicada aqui e é a mais completa matéria sobre o assunto, que nos dá um panorama muito bom sobre os desmandos que cercam a coisa toda do cirquinho.
Eu digo cirquinho assim, insistentemente, porque embora esse pessoal tenha construído uma verdadeira indústria de consumo de bens culturais, embora tenha seu mérito como espetáculo, a elitização que eu vejo do circo descaracteriza para mim a alma do circo. Não há alma ali. Há negócio. E não me venham falar de geração de empregos, que os poucos que foram gerados estavam destinados a quem tivesse o segundo grau e falasse inglês — com certeza os alunos formados na nossa bela rede estadual são os primeiros da lista! Oh yes!
Mas é assim mesmo: é fácil ser rebanho, achar bonitinho o cirquinho, pagar uma fortuna para ver esse show de horrores e deixar que depois ajeitem o Memorial pros estudantes — do Governo? — visitarem.
- Plantar árvores? Vão plantar, né? Não sei.
Vai ser a fala padrão. Sinceramente, não vejo nenhuma luz sendo trazida pelo circo do sol.


