Grupo literário “Urros Masculinos” participa da 4ª Balada

Publi­cado na Folha On-line (São Paulo) dia 21 de nov. de 2009.

Por Paula Lume

Por que um escri­tor não pode fes­te­jar como qual­quer outro ser humano um evento lite­rá­rio? E junto com os lei­to­res? Par­tindo desse pres­su­posto, o grupo lite­rá­rio “Urros Mas­cu­li­nos” –for­mado por Artur Rogé­rio, Bruno Pif­far­dini e Wel­ling­ton de Melo– deci­di­ram orga­ni­zar uma festa lite­rá­ria com uma nova faceta. “Sub­ver­te­mos o con­ceito de festa lite­rá­ria. A gente quis fazer uma coisa mais irre­ve­rente”, segundo Melo. E con­se­gui­ram. Par­ti­ci­pando pela pri­meira vez da Balada Lite­rá­ria, o grupo fez inter­ven­ções com lei­tu­ras. Eles orga­ni­za­ram a pri­meira Festa Lite­rá­ria do Recife (Fre­e­Porto), que ocor­reu entre os dia 6 e 8 de novem­bro, no Recife Antigo, bairro conhe­cido por sua tra­di­ção boêmia.

Melo que veio pela pri­meira vez a São Paulo achava que a cidade era uma pla­ní­cie. “Quando che­guei, vi que era uma pla­ní­cie estu­prada por edi­fí­cios”, disse. Ele está sur­preso com a Balada Lite­rá­ria, orga­ni­zada pelo escri­tor Mar­ce­lino Freire. Uma das apre­sen­ta­ções que mais lhe cha­mou a aten­ção foi a que ocor­reu na última sexta (20), às 19h, no Sesc Pinhei­ros, região oeste de São Paulo. O can­tor Rubi, a can­tora Fabi­ana Cozza e o pia­nista Vítor Araújo impres­si­o­na­ram o escri­tor per­nam­bu­cano durante o show. “Mar­ce­lino é uma daque­las pes­soas que não cabem em si. É um esforço muito grande”, disse à Livra­ria da Folha.

Após o “Sara­pa­te­li­te­rá­rio”, espé­cie de lei­lão de manus­cri­tos e ori­gi­nais de escri­to­res em Per­nam­buco, o grupo anun­ciou a festa e rever­teu todo o dinheiro arre­ca­dado para a orga­ni­za­ção do evento. Arre­ca­da­ram R$ 500,00 só pelo ori­gi­nal de “O Amor Não Tem Bons Sen­ti­men­tos” (2003), de Rai­mundo Car­rero, tota­li­zando R$ 1.100,00 no lei­lão. Por meio de micro­par­ce­rias e apoio da ini­ci­a­tiva pri­vada finan­ci­a­ram a Fre­e­Porto. Durante a festa lan­ça­ram “A Pedra Fun­da­men­tal da Nova Lite­ra­tura Bra­si­leira”, um bloco de gelo que dei­xou de exis­tir logo após o irre­ve­rente dis­curso. Bati­zada como a “Tri­lo­gia da Des­trui­ção”, o ani­mal que sim­bo­liza a Fre­e­Porto é a raposa, em uma asso­ci­a­ção irô­nica à Fli­porto, que acon­tece em Porto de Gali­nhas (PE).

Este ano houve o nas­ci­mento da raposa, ano que vem será o casa­mento, e em 2011, a morte do ani­mal. “Fize­mos uma tri­lo­gia para que isso não se trans­forme num cabide de emprego”, expli­cou Melo. A festa tomou todos os can­tos, por­que a lite­ra­tura estava nas ruas, nos bares, nos bate-papos, e até em uma casa da luz ver­me­lha do Recife Antigo onde os escri­to­res lan­ça­ram a anto­lo­gia dos con­tos e poe­sias. As garo­tas não esta­vam lá e os escri­to­res auto­gra­fa­ram os volu­mes na pista de dança.

Até lan­ça­mento de livros houve na Fre­e­Porto. Havia uma com­pe­ti­ção de escri­to­res para arre­mes­sa­rem seus livros na rua. O escri­tor lan­çava lite­ral­mente seu pró­prio livro. Um velho macum­beiro e uma raposa –ambos per­so­na­gens da festa– faziam as medi­ções. “A gente cha­mava quem a gente que­ria ou as pes­soas que que­riam lan­çar. Três escri­to­res entra­ram em con­tato com a gente”, disse Melo. O grande ven­ce­dor foi “Matriuska” (2009). Sid­ney Rocha arre­mes­sou seu livro a incrí­veis 10m89cm. O último lugar (15º) ficou com “Par-Ímpar”, de Pedro Amé­rico de Farias, com 2m67cm.

A festa teve mesas, “pula pula pula” –decla­ma­ções de ver­sos em saca­das nas quais o público gri­tava a frase para os escri­to­res–, reci­tais em dupla, Fre­e­Ca­reta –pri­meira pro­cis­são lite­rá­ria– e “off sinas”, com temas absur­dos, como a de Mar­ce­lino Freire, cha­mada “Quem Ama, Educa: Como Cui­dar do seu Pin­guim de Gela­deira”. “Embora não tives­sem tan­tas mesas, a lite­ra­tura estava pul­sando, por­que era uma festa feita por lei­to­res e escri­to­res. O lance da Fre­e­Porto é fazer uma festa que você atrai escri­to­res e lei­to­res sem fin­gir que estão pres­tando aten­ção em uma mesa de duas horas”, expli­cou Melo.

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