Ultimamente tenho tido pouco saco para tudo. Dizer que ando pessimista não seria de todo mentira.
A verdade é que as pessoas são muito complicadas e lidar com elas é um exercício enorme para mim. Quando você faz algo público precisa cuidar de todos os detalhes, lembrar de todas as pessoas que devem ser citadas. Isso é exaustivo. Recentemente perdi um amigo por isso: porque não o citei num evento. Fico me perguntando se amizades se destroem assim, só com um erro. Normalmente quando se é amigo se aceitam os erros dos outro. Quando esses erros acabam se tornando sucessivos, cabe uma reavaliação da amizade, principalmente quando não há respeito pelo outro. Mas deixar de falar com o outro assim, por uma coisa que acontece e mesmo quando se pede desculpas um milhão de vezes… Mas decidi que não havia muito o que fazer a não ser deixar o tempo passar.

Vila Madalena, São Paulo. Wellington de Melo
Parece que cada vez mais eu fico sem paciência para as coisas, para o exercício de conviver. Minha mulher diz que eu preciso sair mais, conversar com as pessoas, alimentar minha literatura com isso. O que acontece, no final das contas, é que prefiro ficar em meu muito a socializar. O que gosto mesmo é de andar pela cidade, observar, flanar. Mas sem muita conversa, sem muito toque.
Minha mulher também diz que devo ter algum grau de TDAH. Eu me considero, muitas vezes, simplesmente meio autista. De uma forma ou de outra, deve estar piorando. Eu me vejo às vezes daqui a algumas décadas: um velho rabujento e recluso, preso a papéis e ideias fixas. Isolado e solitário. Não sei se quero isso para mim. Tampouco sei como evitar esse destino inexorável.

