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Andei pensando de novo esses dias sobre a gestação dos livros.
São crias estranhas, os livros, porque seu nascimento não é algo linear, não é algo que controlamos. Eu sinto que um livro nasce com uma voz, uma dicção, que permanece durante algum tempo com o escritor. Quando essa voz se vai, tudo o que se escreve soa falso, não pertence mais àquele livro. Se você força a escrever, é como se estivesse introduzindo um corpo estranho, um intruso. Poemas intrusos têm outra voz, não cabem no livro. Ao escritor cabe esperar que a centelha inicial volte. Às vezes simplesmente não volta, então significa que o livro acabou, que já deu o que tinha que dar. Acho que é o mesmo com quadros. Você precisa saber quando parar, porque se não acaba destruindo a obra.

