Parto de livros

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Andei pen­sando de novo esses dias sobre a ges­ta­ção dos livros.

São crias estra­nhas, os livros, por­que seu nas­ci­mento não é algo linear, não é algo que con­tro­la­mos. Eu sinto que um livro nasce com uma voz, uma dic­ção, que per­ma­nece durante algum tempo com o escri­tor. Quando essa voz se vai, tudo o que se escreve soa falso, não per­tence mais àquele livro. Se você força a escre­ver, é como se esti­vesse intro­du­zindo um corpo estra­nho, um intruso. Poe­mas intru­sos têm outra voz, não cabem no livro. Ao escri­tor cabe espe­rar que a cen­te­lha ini­cial volte. Às vezes sim­ples­mente não volta, então sig­ni­fica que o livro aca­bou, que já deu o que tinha que dar. Acho que é o mesmo com qua­dros. Você pre­cisa saber quando parar, por­que se não acaba des­truindo a obra.

  • http://www.wellingtondemelo.com.br Wel­ling­ton de Melo

    Veja a sabe­do­ria dela. É ver­dade. Nunca se sabe se uma ver­são não publi­cada teria sido melhor que a que veio a público.

  • http://www.flor-de-gelo.blogspot.com Gerusa Leal

    Até cor­tar os pró­prios defei­tos pode ser peri­goso. Nunca se sabe qual é o defeito que sus­tenta nosso edi­fí­cio inteiro.”

    Cla­rice Lispector