Sobre cansaço e Marte em Leão

Tenho ficado cada vez mais can­sado da ‘vivên­cia lite­rá­ria’. Supor­tando — para ser oti­mista — ir a reu­niões inú­teis em que se fala sobre lite­ra­tura, sobre home­na­gens, polí­ti­cas públi­cas etc. É tudo um grande tea­tro, na ver­dade. E você fica ali obser­vando as pes­soas fala­rem, mas meio que aceita a farsa, aceita tudo. Estou can­sado. Que­ria poder só escre­ver, esque­cer disso tudo. Mas uma amiga astró­loga me disse que tenho um danado de um Leão em Marte que faz com que me vejam, de alguma forma cós­mica, como um líder. Acho que isso come­çou quando acei­tei ser o pre­si­dente da comis­são de fes­tas no ter­ceiro ano. Acho que ali me viciei com a lide­rança. Inferno.

Alguns edi­tais para ana­li­sar esta semana: aquela espe­rança de ganhar uma bolsa des­sas para ter uma vida mais tran­quila e poder escre­ver durante alguns meses sem cor­rer de uma aula para outra. Mas é tão chato ler esses edi­tais, escre­ver tudo, tirar cópias de cur­rí­culo etc.

Esta semana tam­bém pre­ciso rece­ber umas res­pos­tas que dita­rão meus pró­xi­mos meses. Uma ansi­e­dade daque­las de dar frio na bar­riga de pen­sar. Mas vou espe­rando, só não da mesma forma que fiquei espe­rando uma des­sas reu­niões cha­tas ‘sobre’ lite­ra­tura que tive dia des­ses. Quem eram aque­las pes­soas? Alguns ros­tos conhe­ci­dos, mas não via ali escri­to­res que fazem a cena além deles. Per­gunta maior: o que eu estava fazendo ali?

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