Crítica teatral em debate no teatro Hermilo Borba Filho

Maté­ria publi­cada no por­tal da Pre­fei­tura da Cidade do Recife.

O papel do crí­tico tea­tral e a impor­tân­cia da sua for­ma­ção para a dis­cus­são do tea­tro na atu­a­li­dade. Essas e outras ques­tões foram levan­ta­das na segunda edi­ção do pro­jeto Labo­ra­tó­rio de Lite­ra­tura & Crí­tica, rea­li­zada na noite desta terça-feira (11), no Tea­tro Her­milo Borba Filho, Bairro do Recife. Com o tema “Onde Está o Crí­tico de Tea­tro?”, o debate con­tou com as par­ti­ci­pa­ções do pro­fes­sor da Uni­ver­si­dade Fede­ral de Per­nam­buco (UFPE) Luís Reis, e da jor­na­lista Ivana Moura.

O Labo­ra­tó­rio de Lite­ra­tura & Crí­tica foi ide­a­li­zado pelo escri­tor e pro­fes­sor Wel­ling­ton de Mello, e conta com o patro­cí­nio do Sin­di­cato dos Pro­fes­so­res de Per­nam­buco (Sin­pro) e o apoio da Pre­fei­tura do Recife. A pro­posta do pro­jeto é, segundo Wel­ling­ton, pro­pi­ciar um espaço de debate vol­tado à crí­tica cul­tu­ral nos mais diver­sos veí­cu­los, seja nos perió­di­cos, na inter­net, entre outros. “Em pri­meiro momento, nos vol­ta­re­mos à crí­tica lite­rá­ria, mas que­re­mos dis­cu­tir tam­bém a crí­tica de uma forma mais ampla, o exer­cí­cio da crí­tica, que é algo difí­cil. A pro­posta ini­cial é de fazer­mos seis edi­ções, com um tema a cada mês”, explica Wellington.

Onde Está o Crí­tico de Tea­tro?”, tema deste mês, pro­cu­rou por em xeque a par­ti­ci­pa­ção e a impor­tân­cia do ofí­cio do crí­tico em rela­ção à des­mis­ti­fi­ca­ção de uma das mais com­ple­xas expres­sões artís­ti­cas, o tea­tro. Para o pro­fes­sor Luís Reis, o crí­tico de tea­tro atua dife­ren­te­mente de um repór­ter que ape­nas cobre uma peça e trans­forma isso num relato mera­mente obje­tivo. “O tea­tro é uma arte que tra­ba­lha com uma pro­fu­são de sig­nos. Existe o cená­rio, a luz, o figu­rino, as inter­pre­ta­ções, etc. E o papel do crí­tico, ao escre­ver sobre um espe­tá­culo, é fazer com que essa pro­fu­são de sig­nos se expanda, ampli­ando o diá­logo com o lei­tor. A crí­tica tem que raci­o­ci­nar, cons­truir uma linha de pen­sa­mento. Espera-se do crí­tico um olhar espe­ci­a­li­zado”, colocou.

A jor­na­lista Ivana Moura, assim como Reis, con­corda que o tra­quejo de um crí­tico de tea­tro é adqui­rido com o tempo, com a prá­tica, e, prin­ci­pal­mente, com o amor pelo tea­tro. “Não exis­tem esco­las espe­ci­a­li­za­das na for­ma­ção de crí­ti­cos de tea­tro. É neces­sá­rio expe­ri­ên­cia e tempo de estrada para ser crí­tico. O tea­tro tem mui­tos sig­ni­fi­ca­dos, e você tem que enten­der, do seu con­junto, um pouco do que cada coisa e do que aquilo está que­rendo dizer para o público espe­cí­fico daquele tempo e daquele lugar”, disse Ivana.

Em um for­mato de talk-show, o debate se dá num bate-papo des­con­traído, com a par­ti­ci­pa­ção de uma pla­téia, que tem a aber­tura para fazer per­gun­tas aos con­vi­da­dos. Entre as diver­sas ques­tões sur­gi­das, esta­vam o pro­cesso cri­a­tivo no tea­tro, a inter­net como veí­culo para a difu­são de infor­ma­ção sobre crí­tica e espe­tá­cu­los tea­trais, a inser­ção da aca­de­mia na aná­lise desse uni­verso, a adap­ta­ção de obras lite­rá­rias para o tea­tro, assim como o atual cená­rio da crí­tica de tea­tro no Bra­sil e no Estado, entre outros.

Num Her­milo Borba Filho lotado, sobra­ram per­gun­tas a serem res­pon­di­das. O que demons­tra o sucesso do Labo­ra­tó­rio e a impor­tân­cia da inte­ra­ção com o público em geral, uma das mar­cas pre­ten­di­das pelo pro­jeto. “É um espaço do exer­cí­cio da crí­tica e tam­bém um espaço de for­ma­ção. E o público exer­cita isso e cola­bora com essa for­ma­ção tam­bém atra­vés da sua par­ti­ci­pa­ção”, explica Wel­ling­ton de Mello.

A estu­dante de Letras, Thays Lima, esteve no evento e pre­tende acom­pa­nhar as pró­xi­mas edições. “A pro­posta é muito inte­res­sante. Por­que, pelo menos, pra mim, essa coisa da cri­tica lite­rá­ria sem­pre foi algo tão dis­tante, que eu nunca tive muito acesso, no sen­tido de saber qual é a dessa galera mesmo, sabe? De enten­der o porquê da crí­tica, como cri­ti­car, quais as fer­ra­men­tas que os crí­ti­cos usam”.

O Labo­ra­tó­rio de Lite­ra­tura & Crí­tica faz parte do Pro­grama de Exten­são da Uni­ver­si­dade Fede­ral de Per­nam­buco e tam­bém conta com o apoio da Lite­rato, Jema Pro­du­ções, revista Cris­pim, Inter­poé­tica e Sub­foco. A pró­xima edi­ção do pro­jeto será no dia 08 de junho, com a par­ti­ci­pa­ção dos poe­tas Miró e Fábio Andrade, deba­tendo sobre o tema “Poesia?”.

Link ori­gi­nal: http://​www​.recife​.pe​.gov​.br/​2010​/​05​/​12​/​c​r​i​t​ica

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