Panela de chá — Leilão de manuscritos e originais de escritores

Acon­tece na pró­xima terça-feira, dia 25 de maio, a Panela de chá — II Lei­lão de manus­cri­tos e ori­gi­nais de escri­to­res em Per­nam­buco. Rola no Espaço Muda, na rua do Lima, 280 (ao lado do Jor­nal do Commercio).

Ano pas­sado fize­mos o pri­meiro lei­lão, cha­mado Sara­pa­te­li­te­rá­rio. Foi no Pasár­gada. Foi a pri­meira edi­ção e as lem­bran­ças que tenho são muito boas. Uma coisa mágica você ver as pes­soas dando lan­ces pelos ori­gi­nais dos escri­to­res, o que pra mim era um reco­nhe­ci­mento pelo tra­ba­lho deles, pelo seu pro­cesso cri­a­tivo. Os ori­gi­nais de O amor não tem bons sen­ti­men­tos, de Rai­mundo Car­rero foi arre­ma­tado por R$ 500,00 por um empre­sá­rio per­nam­bu­cano, cara de visão que reco­nhe­ceu o valor daquele docu­mento vivo, que em alguns anos se tor­nará mais vali­oso ainda como um arte­fato da his­tó­ria da lite­ra­tura con­tem­po­râ­nea pro­du­zida em nosso estado.

Lem­bro que nossa pre­o­cu­pa­ção no Urros era que os manus­cri­tos fos­sem para mãos que os res­pei­tas­sem, então cri­a­mos um termo de res­pon­sa­bi­li­dade que todos os com­pra­do­res assi­nam, se cer­ti­fi­cando que devem pre­ser­var as peças arre­ca­da­das e comu­ni­car para nós se deci­dir se des­fa­zer. Isso por­que con­si­de­ra­mos que é impor­tante não per­der de vista estas peças, que deve­riam fazer parte do acervo de bibli­o­te­cas, ins­ti­tui­ções de ensino etc.

A espe­rança é que este ano as pes­soas tomem cons­ci­ên­cia da impor­tân­cia des­ses ori­gi­nais. Como inte­res­sado pela crí­tica gené­tica, não posso dei­xar de ficar exta­si­ado com a visão de ori­gi­nais como o de Sama­rone Lima, de Via­gem ao Cre­pús­culo: cheio de modi­fi­ca­ções, rasu­ras, cor­re­ções que reve­lam o per­curso do autor até a obra publicada.

Em se con­si­de­rando o valor gené­tico, me chama a aten­ção tam­bém os ori­gi­nais de Gali­leia, de Ronaldo Cor­reia de Brito. Para come­çar, a ver­são doada para a Fre­e­Porto se chama “Davi entre as feras”, título ante­rior do livro, que pro­va­vel­mente se cha­mava sim­ples­mente “Davi”, já que “entre as feras está escrito a lápis. Há movi­men­tos gené­ti­cos inte­res­san­tís­si­mos, como uma pas­sa­gem em que o autor subs­ti­tui “Anto­ni­oni” por “um cine­asta”, o que mos­tra um desejo de reti­rar um tom mais eli­tista da fala do per­so­na­gem e ‘sim­pli­fi­car’ sua fala, aumen­tando a comu­ni­ca­bi­li­dade da sequên­cia como um todo.

Mais impor­tante: o romance, como está, é muito dife­rente da ver­são final, uma vez que as per­so­na­gens ainda não têm o deli­ne­a­mento que terão em Gali­leia e frag­men­tos intei­ros foram supri­mi­dos. A bem da ver­dade, o livro cres­ce­ria e pos­te­ri­or­mente seria mais uma vez enxuto até che­gar à publi­ca­ção final. Em con­versa com Ronaldo, con­fes­sou que, se o pro­cesso de escrita do romance tivesse cinco par­tes, essa repre­sen­tada nos ori­gi­nais seria a fase dois. O autor não expli­ci­tou se seriam cinco fases pré-editoriais ou não, mas nota-se cla­ra­mente que se trata de um texto que revela muito das deci­sões toma­das pos­te­ri­or­mente pelo autor em dire­ção do seu pre­mi­ado livro.

Fica então o con­vite a todos para adqui­rir manus­cri­tos e ori­gi­nais des­ses auto­res que tive­ram a deli­ca­deza de doar ao Urros Mas­cu­li­nos e à Fre­e­Porto essa ferida aberta que são esses docu­men­tos, retrato mar­cante de sua escrita, de seu belo pro­cesso criativo.

O Grupo Paés pre­pa­rou uma emba­la­gem exclu­siva que vai aco­mo­dar cada uma das peças lei­lo­a­das, uma coisa chi­que! Apre­sen­ta­ções de Artur Rogé­rio e Rai­mundo de Moraes, Bruno Pif­far­dini e Leo Zadi, Dre­mel­gas e coisa e tal. Eu, fico de mes­tre de cerimô­nia. Vamos lan­çar ofi­ci­al­mente a Fre­e­Porto neste dia. Preparem-se pra sur­pre­sas. Lan­ça­re­mos até um prê­mio lite­rá­rio. Aguar­dem! O con­vite para o evento vai aqui embaixo: