Este é meu terceiro livro de poemas. Comecei a escrever em 2009 e mudei o projeto do livro diversas vezes. A proposta inicial era publicar 3 volumes em formato cordel, com 10 poemas cada. Cheguei a fazer o primeiro, com uma leitura aberta que rolou na Saraiva, numa versão especial do Nós Pós. Seriam sempre 50 exemplares, numerados e assinados. A leitura foi um sucesso e vendi todos em duas semanas. Só fiquei com o número 1, claro.
Como disse antes, o projeto do livro mudou muito desde sua primeira versão, mas ainda teria 3 blocos. Entreguei a primeira versão do livro a alguns amigos, que tiveram opiniões bem diversas sobre ele. Uma delas, no entanto, me fez observar vários pontos inconsistentes no livro, que já estava na sua segunda versão
Decidi que deveria ser um único livro e apresentei à Editora Paés, que topou bancar a edição. É o primeiro livro que não tive que bancar, então considero uma grande vitória pessoal, principalmente em se tratando de um livro de poesia.Esse livro para alguns é uma continuação da poética de [desvirtual provisório], para outros é uma ruptura com a proposta daquele livro. Eu, particularmente, considero que há uma clara linha evolutiva que une os três livros. Não se trata de afirmar que um é melhor do que o outro ou que pretendia escrever uma trilogia, apenas que é possível notar uma continuação de algumas características e o aprofundamento de certas ideias. Eu posso dizer, por exemplo, que o poema “O pó”, do [desvirtual provisório], é um prenúncio d’o peso do medo. Da mesma forma que o poema Art r Rog rio, deste último livro, é a preparação para outra voz, para outro livro que virá. Enfim, é possível ver que os livros se entendem de maneira separada, mas compreendê-los em sua dinâmica evolutiva permite uma outra leitura.

