Reconstruindo o peso do medo

No meu novo livro, o peso do medo 30 poemas em fúria, apaguei visualmente as marcas dos versos e toda a pontuação. Mas, curiosamente, eles estão lá. Daí  ironia, no último poema do livro: “eu tentei destruir o verso e o peso do medo/ mas não acaba”.

Foi um exercício estético, mas sei que a leitura do livro deve ser difícil. Daí minha curiosidade para saber como os leitores recebem o livro, como recostroem os versos que ‘apaguei’. Por isso decidi fazer esse sorteio aqui pelo site, vejam como participar.Para participar, leiam o poema “arte poética” e separem os versos da maneira que acharem que devem ser separados. Podem criar estrofes, se julgarem oportuno. Enviem sua versão para o email wjdemelo@gmail.com e postem o seguinte tweet: “Participo da promoção Reconstruindo o peso do medo | http://kingo.to/qiK ” . É importante que mantenham o link final. Podem acrescentar outras coisas, mas o link é o meio de fazer o sorteio ao final.

Vejam, meu objetivo não é escolher a ‘melhor versão’. Não é isso. Quero ver com os olhos de vocês meu poema. Só.

Enviem suas versões até o dia 20. No dia 21 divulgo o resultado e publico as versões aqui no site, creditando os autores (ao participar você me autoriza a isso, certo?). Eis o poema:

arte poética

morto ventre de livros oróboro prateleiras silêncio pó esse livro não é carne e sangue é mais uma máscara que se arrasta já nada há pra dizer nada esse livro mais medo menos fúria mais fuga de terminar devorador de umbigos ou de seguir cinza ou de ser um dos jovens sérios de fernando monteiro ou de ser raíz e tumba ou de ser mais uma cria-espelho-neruda ou de ser sensação roda-de-samba da lapa odisseia criar manuais de escombros ser diplomático anêmico diferente iconoclasta moderninho ou ser só isso odisseia ó alcaguetes de plantão oh ser pop cult no café-cinema-de-arte ó poetas pós-românticos pós-simbolistas pós-concretistas pós-modernos  oh não ser nada só uma palavra depois da outra uma depois da outra o poema após a morte do verso ó maquiadores de dor inventada como estrangular a úlcera dessas letras como multiplicar meu caos-retina como implodir meu corpo rua vazia como incendiar em mim o gabinete como desmembrar a alma dos edifícios mortificados como violar a úmida memória das crianças do caderno cidade como açoitar a agonia das etnias vencidas como retirar o véu de silêncio das bocas dos trens lotados como carbonizar a vontade adormecida das escrivaninhas se sou só isso se isso é só abismo se isso é só odisseia derreter enfim o arquipélago sodomizar as últimas esperanças da plateia enfeitar as vestes da noite com as vísceras de platão

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