{"id":18578,"date":"2020-03-01T09:17:44","date_gmt":"2020-03-01T12:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/?p=18578"},"modified":"2025-03-05T22:04:56","modified_gmt":"2025-03-06T01:04:56","slug":"o-narrador-como-linguagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/2020\/03\/01\/o-narrador-como-linguagem\/","title":{"rendered":"O narrador como linguagem"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"18578\" class=\"elementor elementor-18578\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-575e4600 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"575e4600\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-77f97e97\" data-id=\"77f97e97\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-46bad3d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"46bad3d\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Qualquer texto tem m\u00faltiplas camadas de significado, e em um texto de fic\u00e7\u00e3o isso se d\u00e1 de forma mais intensa. Se os eventos narrados e as descri\u00e7\u00f5es s\u00e3o a primeira forma de acessar os significados de um texto, a pr\u00f3pria tessitura da gram\u00e1tica pode ser manipulada pelo autor ou pela autora para construir sentidos. Neste post falo brevemente sobre como criar uma camada de sentido valendo-se da sintaxe, imaginando o narrador como linguagem.<\/p><p>Gosto de usar dois exemplos para mostrar como a sintaxe de um narrador ou personagem pode revelar estados mentais. Em minhas aulas, costumo usar os come\u00e7os de\u00a0<em>O som e a f\u00faria<\/em>, de William Faulkner, e\u00a0<em>Gra\u00e7a infinita<\/em>, de David Foster Wallace. Em ambos os trechos, temos narradores que compartilham uma condi\u00e7\u00e3o, como veremos a seguir. Para acompanhar, talvez voc\u00ea precise ter acesso aos textos. Coloco aqui um link para o texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.academia.edu\/36761463\/William_Faulkner_O_Som_e_a_Furia\">Faulkner<\/a>\u00a0e outro para o do Foster Wallace. Adianto que o artigo pode conter\u00a0<strong>spoilers<\/strong>.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-005c339 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"005c339\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><h3 style=\"letter-spacing: normal;white-space: normal\">O narrador \u00e9 sua linguagem<\/h3><\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-91380b6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"91380b6\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">Uma das coisas mais dif\u00edceis \u00e9 chegar a uma voz de narrador que consiga dar conta da complexidade da alma humana e, ao mesmo tempo, nos sirva para ser o condutor de nossa narrativa. \u00c0s vezes, queremos que essa voz seja did\u00e1tica e neutra, e que deixe os eventos se desenrolarem sem grande sobressalto. Mais ou menos como mestres de cerim\u00f4nia de eventos governamentais. Quanto menos barulho, melhor.<\/span><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Particularmente, gosto de livros cujos narradores sejam \u00fanicos, que mostrem a que vieram. Essa foi minha busca com os m\u00faltiplos narradores de meu primeiro romance,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/portfolio_page\/estrangeiro-nolabirinto\/\">Estrangeiro no labirinto<\/a>, como com o violento Ademir, de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/portfolio_page\/felicidade\/\">Felicidade<\/a>. Claro que quando voc\u00ea utiliza um narrador em primeira pessoa isso faz mais sentido. Se ele \u00e9 narrador-personagem, mais ainda. Gosto de narradores que participam ou se envolvem com a a\u00e7\u00e3o. Talvez uma exce\u00e7\u00e3o que confirme a regra seja o Rodrigo S.M., de&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/iel\/site\/alunos\/publicacoes\/textos\/c00014.htm\">A paix\u00e3o segundo G.H.<\/a><\/em>, mas talvez seja um caso controverso para servir de exemplo.<\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">De toda forma, o trabalho de criar a voz de um narrador-personagem ou narrador-protagonista \u00e9 extremamente importante. Ele n\u00e3o servir\u00e1 apenas para delinear a personalidade daquele que conta a hist\u00f3ria, mas dar\u00e1 forma ao tom mais amplo que voc\u00ea quer dar \u00e0 narrativa. Um narrador irasc\u00edvel ter\u00e1 atitudes distintas diante dos eventos narrados que um narrador ir\u00f4nico. Um narrador ing\u00eanuo deve render estrat\u00e9gias interessantes de oculta\u00e7\u00e3o de dados, mas algu\u00e9m impulsivo tamb\u00e9m. H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de se alcan\u00e7ar o mesmo objetivo.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d4038cf elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"d4038cf\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">A condi\u00e7\u00e3o do narrador<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a014020 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a014020\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">Nos exemplos que selecionei, temos dois narradores que compartilham uma condi\u00e7\u00e3o. Pelo menos na \u00e9poca de Faulkner, essa condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o era conhecida como hoje e recebia nomes diferentes. Isso, inclusive, justifica em parte a escolha do t\u00edtulo do livro, como veremos adiante. Poder\u00edamos classificar tanto Benjamin Compton, o Benjy de\u00a0<\/span><em style=\"color: #656565; font-size: 18px;\">O som e a f\u00faria<\/em><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">, como Halold Incandenza, o Hal de\u00a0<\/span><em style=\"color: #656565; font-size: 18px;\">Gra\u00e7a infinita<\/em><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">, como personagens que est\u00e3o no que hoje conhecemos como\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 18px;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Transtornos_do_espectro_autista\">espectro autista<\/a><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">.<\/span><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Os transtornos de espectro autista (TEA= &#8220;engloba diferentes condi\u00e7\u00f5es marcadas por perturba\u00e7\u00f5es do desenvolvimento neurol\u00f3gico com tr\u00eas caracter\u00edsticas fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. S\u00e3o elas: dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o por defici\u00eancia no dom\u00ednio da linguagem e no uso da imagina\u00e7\u00e3o para lidar com jogos simb\u00f3licos, dificuldade de socializa\u00e7\u00e3o e padr\u00e3o de comportamento restritivo e repetitivo&#8221; <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_18578_1('footnote_plugin_reference_18578_1_1');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_18578_1('footnote_plugin_reference_18578_1_1');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_18578_1_1\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[1]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_18578_1_1\" class=\"footnote_tooltip\">1. Transtorno de espectro autista (TEA).\u00a0<a href=\"https:\/\/drauziovarella.uol.com.br\/doencas-e-sintomas\/transtorno-do-espectro-autista-tea\/\">Drauzio Varella<\/a>. Acesso 1 mar. 2020.<\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_18578_1_1').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_18578_1_1', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Como desenvolver uma voz que seja cr\u00edvel ao representar uma condi\u00e7\u00e3o t\u00e3o singular e diversa, j\u00e1 que o TEA tem uma diversidade grande de caracter\u00edsticas? Mais que isso: como faz\u00ea-lo sem que se caia na caricatura? Como evitar a imita\u00e7\u00e3o que se pede nos maneirismos e deixa de lado a ess\u00eancia dessa personagem ou desse narrador. Como concentrar-nos naquilo que o faz seguir caminhando sobre a Terra? Nos dois exemplos que trago, acho que isso \u00e9 alcan\u00e7ado com maestria.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b291a2c elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"b291a2c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">O Benjy de Faukner<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-9bdf6dd elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"9bdf6dd\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">L\u00e1 vem spoiler. A primeira parte de&nbsp;<\/span><em style=\"color: #656565; font-size: 18px;\">O som e a f\u00faria<\/em><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">&nbsp;\u00e9 narrada por um dos irm\u00e3os da disfuncional fam\u00edlia Compton, em torno da qual giram os eventos do romance, em diferentes \u00e9pocas de suas vidas. A escolha de Faulkner por abrir seu romance com Benjy, batizado de Maury, nome de seu tio, mas rebatizado como Benjamin quando sua m\u00e3e entende sua condi\u00e7\u00e3o, \u00e9 decisiva para o tom do livro e justifica, em parte, o t\u00edtulo.<\/span><\/p>\n<p style=\"background-color: #ffffff;\">Obviamente sabemos da refer\u00eancia a Macbeth que motiva o t\u00edtulo. Na cena 5 do Ato 5, quando Macbeth sabe da morte da rainha, pronuncia uma de suas falas mais famosas: A vida n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m de uma \/ sombra que anda, um pobre ator que \/ pavoneia e lamuria seu instante \/ no palco e depois n\u00e3o \u00e9 mais ouvido: \/ \u00e9 um conto contado por um idiota, \/ cheio de som e f\u00faria, significando nada. <span class=\"footnote_referrer\"><a role=\"button\" tabindex=\"0\" onclick=\"footnote_moveToReference_18578_1('footnote_plugin_reference_18578_1_2');\" onkeypress=\"footnote_moveToReference_18578_1('footnote_plugin_reference_18578_1_2');\" ><sup id=\"footnote_plugin_tooltip_18578_1_2\" class=\"footnote_plugin_tooltip_text\">[2]<\/sup><\/a><span id=\"footnote_plugin_tooltip_text_18578_1_2\" class=\"footnote_tooltip\">2. Macbeth, Ato 5, cena 5. Tradu\u00e7\u00e3o de&nbsp;<a href=\"http:\/\/hanatirouprimeiro.blogspot.com\/2013\/04\/mcbeth-ato-v-cena-v-exercicio-de.html\">Arthur Malaspina<\/a><\/span><\/span><script type=\"text\/javascript\"> jQuery('#footnote_plugin_tooltip_18578_1_2').tooltip({ tip: '#footnote_plugin_tooltip_text_18578_1_2', tipClass: 'footnote_tooltip', effect: 'fade', predelay: 0, fadeInSpeed: 200, delay: 400, fadeOutSpeed: 200, position: 'top center', relative: true, offset: [-7, 0], });<\/script><\/p>\n<p style=\"background-color: #ffffff;\">O termo &#8220;idiota&#8221;, tanto na \u00e9poca de Shakespeare como na de Faulkner, era usado para descrever pessoas com defici\u00eancia mental. Mesmo que politicamente incorreto hoje, \u00e9 essencial que tenhamos essa informa\u00e7\u00e3o para compreender por que a primeira parte do romance de Faulkner \u00e9 uma verdadeira barreira de som e f\u00faria, narrada por todos os sentidos simult\u00e2neos de Benjy.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5a95b1e elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"5a95b1e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Autismo e gram\u00e1tica<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-03f2557 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"03f2557\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">N\u00e3o h\u00e1 filtro e todas as sensa\u00e7\u00f5es chegam ao mesmo tempo na mente de um autista, causando algo como um curto circuito. \u00c9 assim que ele narra, em tempos sobrepostos e simult\u00e2neos, o que causa um desconforto no leitor de primeira viagem. Com efeito, se voc\u00ea consegue atravessar essa primeira tempestade sensorial que \u00e9 Benjy, se encontrar\u00e1 com outros narradores mais &#8220;d\u00f3ceis&#8221; adiante, ainda que estejamos diante do irm\u00e3o suicida e do outro psicopata.<\/span><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Percebe-se que Faulkner optou por um caminho diferente de Joyce em seu&nbsp;<em>Ulysses<\/em>, livro publicado poucos anos antes de&nbsp;<em>O som e a f\u00faria&nbsp;<\/em>e que com certeza o inspirou. Enquanto Joyce deixa o fluxo da consci\u00eancia operar em grau m\u00e1ximo no&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mundodek.com\/2017\/04\/monologo-de-molly-bloom-em-ulysses-sim.html\">mon\u00f3logo final de Moly Bloom<\/a>, Faulkner n\u00e3o perdoa e j\u00e1 abre o livro desnorteando seu leitor.<\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Mas como isso se reflete na linguagem de Benjy? Leia o come\u00e7o do texto e vamos analis\u00e1-lo:<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-eed8d8c elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"eed8d8c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Sintaxe truncada<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-314aec9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"314aec9\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">Em primeiro lugar, temos enunciados curtos, com uma sintaxe quase que infantilizada, em que as elipses s\u00e3o evitadas e, por isso mesmo, acontecem repeti\u00e7\u00f5es que parecem estranhas a um falante m\u00e9dio. Perceba que n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com recursos de coes\u00e3o lexical como a sinon\u00edmia (o uso do verbo &#8220;tacar&#8221; \u00e9 o exemplo deste trecho). Apesar disso, o uso do padr\u00e3o, no que diz respeito \u00e0 concord\u00e2ncia verbal e nominal \u00e9 claro, o que tamb\u00e9m \u00e9 consciente.<\/span><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Isso porque Faulkner opta por escolher alguns aspectos da linguagem para representar essa voz de um deficiente mental. Ele n\u00e3o tenta imitar pela caricatura, mas faz um trabalho de cria\u00e7\u00e3o a partir da escolha de determinados aspectos (sintaxe crua, elimina\u00e7\u00e3o das elipses, repeti\u00e7\u00f5es) em detrimento de outros. Na fala de Luster, por outro lado, ele se aproxima da variedade do ingl\u00eas falado no Sul dos Estados Unidos por uma pessoa de pouca escolaridade, mas esse \u00e9 tema para outra discuss\u00e3o.<\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">De toda forma, a voz de Benjy se ergue nessa catedral de Faulkner como uma voz singular, gra\u00e7as a seu poder de manipular a linguagem em camadas mais profundas, para al\u00e9m das pistas datas pelas a\u00e7\u00f5es das personagens, como por exemplo quando Luster reclama como Benjy por ser um adulto de trinta e tr\u00eas anos chorando, o que \u00e9 uma pista para sua condi\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o tem o mesmo impacto que a muralha de som e f\u00faria que Faulkner levantou, tijolo a tijolo, na sua obra-prima.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-259ae0c elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"259ae0c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">O Hal de Foster Wallace<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d33d6d9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d33d6d9\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">No come\u00e7o de&nbsp;<\/span><em style=\"color: #656565; font-size: 18px;\">Gra\u00e7a infinita,&nbsp;<\/em><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">estamos diante de uma cena curiosa: o adolescente Hal Incandenza est\u00e1 diante da banca de admiss\u00e3o da Universidade do Arizona para uma avalia\u00e7\u00e3o, visando seu ingresso na institui\u00e7\u00e3o. Ele est\u00e1 acompanhado de seu tio Charles e de um egresso da Universidade, o sr. deLint. A junta \u00e9 composta por um grupo que nos \u00e9 apresentado como hostil pelo narrador: os Gestores de Sele\u00e7\u00e3o, Assuntos Acad\u00eamicos, Assuntos Esportivos.<\/span><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Hal \u00e9 um tenista de alto rendimento e super-dotado, com extrema erudi\u00e7\u00e3o mas que desde os primeiros momentos notamos ter algum transtorno que dificulta sua intera\u00e7\u00e3o social. Todas essas pistas s\u00e3o dadas j\u00e1 tr\u00eas primeiros par\u00e1grafos:<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-914352f elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"914352f\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Exuber\u00e2ncia descritiva<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ba87386 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ba87386\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">Hal descreve detalhadamente, ao longo de oito p\u00e1ginas, as intera\u00e7\u00f5es dentro dessa admiss\u00e3o, incluindo a d\u00favida dos gestores sobre a autoria dos ensaios escritos no ensino m\u00e9dio por ele, a malandragem de seu tio e a tentativa que eles n\u00e3o percebessem o transtorno do jovem e a incapacidade deste de se expressar minimamente. Uma das sequ\u00eancias mais interessantes \u00e9 quando Hal faz um esfor\u00e7o enorme para sorrir, mas sua tentativa \u00e9 interpretada pelos interlocutores como uma careta.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6d07851 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"6d07851\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Sintaxe autista?<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4092320 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"4092320\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">Wallace segue um caminho totalmente oposto a Faulkner para representar seu asperger super-dotado. Hal tem uma sintaxe complexa, com prefer\u00eancia por enunciados longos e par\u00e1grafos enormes. Assim como a barreira de sensa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas de Benjy, essa sintaxe exuberante tamb\u00e9m \u00e9 cansativa para o leitor que n\u00e3o compreenda os objetivos do autor (e mesmo para os que compreendam, vai).<\/span><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Apesar disso, a realidade tamb\u00e9m \u00e9 apresentada de forma fragment\u00e1ria, com elementos que se sobrep\u00f5em (cabe\u00e7as, blazers, quadros, fisionomias), mas que n\u00e3o comp\u00f5em um frame identific\u00e1vel e facilmente interpret\u00e1vel para uma pessoa neurot\u00edpica. A dificuldade de interpretar ou performar express\u00f5es faciais \u00e9, com efeito, uma das caracter\u00edsticas marcantes do TEA. Wallace consegue, por meio da linguagem, sem usar as palavras &#8220;autista&#8221; ou &#8220;autismo&#8221; nenhuma vez, representar essa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a1d78ed elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"a1d78ed\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">O ca\u00e7ador de mariosas (b\u00f4nus)<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a9c06c2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a9c06c2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p style=\"background-color: #ffffff; letter-spacing: normal;\"><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">Esses dois exemplos s\u00e3o significativos para mim. Isso porque eu tamb\u00e9m tive que buscar uma forma de representar uma voz de um narrador como linguagem, uma linguagem que n\u00e3o existia. Isso me aconteceu n\u00e3o com um romance, mas com um livro de poemas. Em&nbsp;<\/span><em style=\"color: #656565; font-size: 18px;\"><a href=\"https:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/produto\/o-cacador-de-mariposas\/\">O ca\u00e7ador de mariposas<\/a><\/em><span style=\"background-color: #ffffff; color: #656565; font-size: 18px;\">, criei um di\u00e1logo po\u00e9ticos entre um pai e seu filho autista n\u00e3o-verbal. Um di\u00e1logo que nunca aconteceria na vida real, apenas poss\u00edvel na literatura.<\/span><\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Apesar de o livro representar uma experi\u00eancia pessoal, n\u00e3o havia como buscar referente de como criar essa voz e minha op\u00e7\u00e3o passou n\u00e3o pela sintaxe, mas pelos conhecimentos de neuroci\u00eancia e linguagem. Sabemos que, mesmo embaralhadas as letras de uma palavra, se preservadas a primeira e a \u00faltima, a leitura \u00e9 poss\u00edvel. Essa foi a forma que escolhi para representar a fala silenciosa de meu filho, essa fala que inventei para me dizer umas verdades que eu precisava ouvir.<\/p><p style=\"background-color: #ffffff;\">Enfim, cada autor ou autora precisa descobrir os mecanismos que utilizar\u00e1 para alcan\u00e7ar seus objetivos e a busca por um efeito passar por solu\u00e7\u00f5es e ferramentas muito diversas. O importante \u00e9 que essa voz sirva para voc\u00ea e possibilite o di\u00e1logo com o leitor. Por mais tortuoso que seja o caminho a ser seguido, por mais pe\u00e7as que o quebra-cabe\u00e7as tenha para que, no final, o quadro fa\u00e7a algum sentido para o observador, a linguagem \u00e9 o mecanismo que voc\u00ea precisa entender e dominar.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"speaker-mute footnotes_reference_container\"> <div class=\"footnote_container_prepare\"><p><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_label pointer\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_18578_1();\">References<\/span><span role=\"button\" tabindex=\"0\" class=\"footnote_reference_container_collapse_button\" style=\"display: none;\" onclick=\"footnote_expand_collapse_reference_container_18578_1();\">[<a id=\"footnote_reference_container_collapse_button_18578_1\">+<\/a>]<\/span><\/p><\/div> <div id=\"footnote_references_container_18578_1\" style=\"\"><table class=\"footnotes_table footnote-reference-container\"><caption class=\"accessibility\">References<\/caption> <tbody> \r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" class=\"footnote_plugin_index_combi pointer\"  onclick=\"footnote_moveToAnchor_18578_1('footnote_plugin_tooltip_18578_1_1');\"><a id=\"footnote_plugin_reference_18578_1_1\" class=\"footnote_backlink\"><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>1<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">1. Transtorno de espectro autista (TEA).\u00a0<a href=\"https:\/\/drauziovarella.uol.com.br\/doencas-e-sintomas\/transtorno-do-espectro-autista-tea\/\">Drauzio Varella<\/a>. Acesso 1 mar. 2020.<\/td><\/tr>\r\n\r\n<tr class=\"footnotes_plugin_reference_row\"> <th scope=\"row\" class=\"footnote_plugin_index_combi pointer\"  onclick=\"footnote_moveToAnchor_18578_1('footnote_plugin_tooltip_18578_1_2');\"><a id=\"footnote_plugin_reference_18578_1_2\" class=\"footnote_backlink\"><span class=\"footnote_index_arrow\">&#8593;<\/span>2<\/a><\/th> <td class=\"footnote_plugin_text\">2. Macbeth, Ato 5, cena 5. Tradu\u00e7\u00e3o de&nbsp;<a href=\"http:\/\/hanatirouprimeiro.blogspot.com\/2013\/04\/mcbeth-ato-v-cena-v-exercicio-de.html\">Arthur Malaspina<\/a><\/td><\/tr>\r\n\r\n <\/tbody> <\/table> <\/div><\/div><script type=\"text\/javascript\"> function footnote_expand_reference_container_18578_1() { jQuery('#footnote_references_container_18578_1').show(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_18578_1').text('\u2212'); } function footnote_collapse_reference_container_18578_1() { jQuery('#footnote_references_container_18578_1').hide(); jQuery('#footnote_reference_container_collapse_button_18578_1').text('+'); } function footnote_expand_collapse_reference_container_18578_1() { if (jQuery('#footnote_references_container_18578_1').is(':hidden')) { footnote_expand_reference_container_18578_1(); } else { footnote_collapse_reference_container_18578_1(); } } function footnote_moveToReference_18578_1(p_str_TargetID) { footnote_expand_reference_container_18578_1(); var l_obj_Target = jQuery('#' + p_str_TargetID); if (l_obj_Target.length) { jQuery( 'html, body' ).delay( 0 ); jQuery('html, body').animate({ scrollTop: l_obj_Target.offset().top - 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