{"id":18810,"date":"2020-05-05T13:35:27","date_gmt":"2020-05-05T16:35:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/?p=18810"},"modified":"2024-01-06T14:50:12","modified_gmt":"2024-01-06T17:50:12","slug":"lingua-e-violencia-de-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/2020\/05\/05\/lingua-e-violencia-de-estado\/","title":{"rendered":"L\u00edngua e viol\u00eancia de estado"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje, dia 5 de maio, se celebra o Dia Mundial da L\u00edngua Portuguesa. A data tem por objetivo celebrar n\u00e3o apenas a l\u00edngua, mas a cultura em torno dela, em todos os pa\u00edses que a t\u00eam como idioma oficial. \u00c9 comum que se lembre neste dia aqueles que ajudam a preservar a l\u00edngua portuguesa, principalmente os artistas, seja por meio da literatura, que tradicionalmente associamos n\u00e3o apenas ao of\u00edcio de preservar, mas de renovar as l\u00ednguas, como mais recentemente homenageiam-se compositores e cineastas, grandes vetores da cultura de massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 curioso que neste dia normalmente se tente passar uma borracha em um aspecto importante na manuten\u00e7\u00e3o, fortalecimento e expans\u00e3o de qualquer idioma: o fato de eles estarem diretamente ligados ao silenciamento de outros povos e, consequentemente, \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de uma nova forma de pensar o mundo. Nesse sentido, l\u00edngua e viol\u00eancia de Estado t\u00eam um caso de amor muito antigo. Neste artigo vou lan\u00e7ar algumas provoca\u00e7\u00f5es sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">INCULTA E BELA<\/h3>\n\n\n\n<p>Antes da Segunda Guerra P\u00fanica (218-201 a.C.), que motivou a movimenta\u00e7\u00e3o romana com o intuito de debelar a presen\u00e7a cartaginesa na Pen\u00ednsula, v\u00e1rios povos aut\u00f3ctones j\u00e1 lutavam para preservar sua l\u00edngua e cultura. O povo indo-europeu lusitano que lutou at\u00e9 138 a.C. contra os romanos pela disputa territorial era, por sua vez, um am\u00e1lgama de culturas que desde a Idade do Ferro lutavam entre si e se revezavam na hegemonia. <\/p>\n\n\n\n<p>Do substrato lingu\u00edstico que encontraram os romanos hoje restam apenas verdadeiros fragmentos arqueol\u00f3gicos em alguns gent\u00edlicos, objeto de estudo da toponom\u00e1stica. Assim, inferimos a presen\u00e7a de elementos pr\u00e9-rom\u00e2nicos em vozes como Scallabis (Santar\u00e9m), Olisipo (Lisboa), Ossonoba (Faro), Ebora (\u00c9vora) ou\u00a0Mirobriga (atual Santiago do Cac\u00e9m)[1.. GUERRA, Am\u00edlcar. Notas sobre as perdura\u00e7\u00f5es onom\u00e1sticas pr\u00e9-romanas no ocidente peninsular. In <em>A Lusit\u00e2nia entre romanos e b\u00e1rbaros<\/em>. Coimbra: Mangualde, 2016.].<\/p>\n\n\n\n<p>Com eles, o latim dos soldados se misturou, mas ele tamb\u00e9m j\u00e1 uma mistura de diferentes ingredientes etno-culturais. Por isso, costumo dizer que apenas quem n\u00e3o conhece a din\u00e2mica da mudan\u00e7a cultural poderia acreditar em uma bobagem como pureza racial, por exemplo. O racismo, que toma como base esse pensamento, \u00e9 a cultura dos ignorantes. \u00c9 talvez o que esconde um dos poemas mais famosos Olavo Bilac (1865-1918).<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u00daltima flor do L\u00e1cio, inculta e bela,<br \/>\u00e9s, a um tempo, esplendor e sepultura:<br \/>ouro nativo, que na ganga impura<br \/>a bruta mina entre os cascalhos vela&#8230;<\/p><p><\/p><p>Amo-te assim, desconhecida e obscura.<br \/>Tuba de alto clangor, lira singela,<br \/>que tens o trom e o silvo da procela,<br \/>e o arrolo da saudade e da ternura!<\/p><p><\/p><p>Amo o teu vi\u00e7o agreste e o teu aroma<br \/>de virgens selvas e de oceano largo!<br \/>Amo-te, \u00f3 rude e doloroso idioma,<\/p><p><\/p><p>em que da voz materna ouvi: &#8220;meu filho!&#8221;,<br \/>e em que Cam\u00f5es chorou, no ex\u00edlio amargo,<br \/>o g\u00eanio sem ventura e o amor sem brilho!<\/p><cite>Olavo Bilac, <em>Poesias<\/em>, Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1964, p. 262.<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">IDEAL DE L\u00cdNGUA E RACISMO<\/h3>\n\n\n\n<p>O objetivo deste texto n\u00e3o \u00e9 analisar o soneto de Bilac. N\u00e3o vou faz\u00ea-lo. Mas esse primeiro verso, talvez um dos mais conhecidos do poeta, encerra parte de nossas contradi\u00e7\u00f5es e muito do que o Brasil ainda pensa sobre si mesmo. Particularmente, considero o segundo verso superior e, perturbadoramente  cada vez mais se aplic\u00e1vel aos tempos que vivemos em nosso pa\u00eds, de uma cultura de morte e intoler\u00e2ncia. <\/p>\n\n\n\n<p>Das seis palavras do primeiro verso, tr\u00eas s\u00e3o adjetivos, sendo um deles relacional (\u00faltima) e dois qualificativos (inculta e bela). Os que odeiam adjetivos devem ter comich\u00e3o ao l\u00ea-lo (j\u00e1 falei sobre a ojeriza ao adjetivo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=fSmANNDyjTE\">neste v\u00eddeo<\/a>). N\u00e3o vou dar aula: &#8220;\u00faltima flor do L\u00e1cio&#8221; porque o portugu\u00eas seria, digamos, a \u00faltima das l\u00ednguas neolatinas a prosperar, mesmo depois da queda do Imp\u00e9rio Romano (nascido na regi\u00e3o hom\u00f4nima).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas por que inculta? Talvez porque para Bilac, como para muitos acad\u00eamicos de seu tempo e mesmo hoje, a l\u00edngua portuguesa, nascida dos estupros dos soldados romanos, cujo latim advindo de classes menos nobres recebeu o nome de &#8220;vulgar&#8221;, n\u00e3o tinha uma origem, digamos, elevada. &#8220;Rude e doloroso idioma&#8221;, ele escreve mais adiante no mesmo poema.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que o latim cl\u00e1ssico escrito n\u00e3o era praticado nas conversas das saunas entre os senadores (j\u00e1 havia saunas?). Mas, como em qualquer idioma, havia uma variedade privilegiada, utilizada pelas classes dominantes ou por subalternos em situa\u00e7\u00f5es em que se faz necess\u00e1ria. Esse &#8220;latim padr\u00e3o&#8221;  n\u00e3o foi a variedade difundida amplamente em todo o Imp\u00e9rio Romano. Os senadores tinham outras coisas a fazer.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A INVEN\u00c7\u00c3O DO INCULTO<\/h3>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o conceito de &#8220;inculto&#8221;, \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o muito posterior \u00e0 romaniza\u00e7\u00e3o da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. N\u00e3o vou me alongar sobre o conceito de cultura, j\u00e1 fiz isso em outro artigo (que voc\u00ea pode ler depois <a href=\"https:\/\/www.wellingtondemelo.com.br\/site\/2020\/02\/toda_lingua_e_rio\/\">aqui<\/a>). Basta dizer que essa vis\u00e3o de que a cultura \u00e9 uma conquista cultivada individualmente, de que uma pessoa \u00e9 culta quando adquire, ao longo da vida, principalmente conhecimentos e pr\u00e1ticas ligadas \u00e0s artes e \u00e0s humanidades, \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o do Romantismo. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque uma pessoa &#8220;inculta&#8221; s\u00f3 \u00e9 um conceito poss\u00edvel para Mogli, o menino lobo, isso se voc\u00ea n\u00e3o pensar que existe uma cultura lupina, mas a\u00ed ter\u00edamos que teorizar sobre uma linguagem dos lobos, e n\u00e3o vou cair nessa toca. Uma vez que a cultura \u00e9 um reflexo das pr\u00e1ticas humanas e, ao mesmo tempo, as molda, tudo que constru\u00edmos culturalmente, da forma de vestir e comer \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas ou organiza\u00e7\u00e3o social s\u00e3o, em certa medida, cultura. <\/p>\n\n\n\n<p>A figura do &#8220;inculto&#8221;, ent\u00e3o, \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o que serve ao esp\u00edrito individualista liberal e, n\u00e3o nos enganemos, elitista do Romantismo, mas que a partir de uma perspectiva mais antropol\u00f3gica do fen\u00f4meno da cultura, n\u00e3o tem como se sustentar. Prevalece, no entanto, nas mentes incultas (ops, ato falho). Claro que podemos ainda defender a exist\u00eancia da figura do idiota. Esses <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=bolsonaro+e+fam%C3%ADlia&amp;oq=bolsonaro+e+fam%C3%ADlia&amp;aqs=chrome..69i57j0l7.3644j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\">existem aos montes<\/a> e seguir\u00e3o existindo enquanto caminharmos sobre a Terra.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A CONDESCEND\u00caNCIA DO BELO<\/h3>\n\n\n\n<p>Todo ato de cultura \u00e9 um ato de viol\u00eancia. Mas explico-me, para n\u00e3o ver a fala deturpada e associada \u00e0 cultura de \u00f3dio como a que os fascistas contempor\u00e2neos  do Brasil, que t\u00eam pavor \u00e0s Artes ,cultivam. Falo da cultura em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 natura: se f\u00f4ssemos conduzidos pura e simplesmente por ela, a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o existiria, porque motivos apenas opor nossos instintos.  Ok, eu sei que entrei numa seara problem\u00e1tica e num terreno arenoso. &#8220;Quem disse que n\u00e3o somos movidos essencialmente por nossos instintos, diria um analista amigo meu. Eu sei que n\u00e3o vou ser feliz direito de jeito nenhum, ent\u00e3o sigamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Bilac fecha o primeiro verso com o terceiro adjetivo: &#8220;bela&#8221;. Condescendente? Claro. Embora use a conjun\u00e7\u00e3o aditiva &#8220;e&#8221;, o texto subjacente nos inclina a uma concess\u00e3o: &#8220;Apesar de inculta, bela&#8221;. Esse adjetivo consagra a eterna contradi\u00e7\u00e3o das elites latino-americanas, mas que no Brasil assume uma face peculiar. A tentativa da nega\u00e7\u00e3o da mesti\u00e7agem pela apropria\u00e7\u00e3o de seu car\u00e1ter ex\u00f3tico e pela defesa de um ideal euroc\u00eantrico baseado em certa pureza perdida. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa ser\u00e1, tamb\u00e9m a contradi\u00e7\u00e3o que nos faz esquecer deliberadamente a viol\u00eancia de estado necess\u00e1ria para a imposi\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua. &#8220;Uma l\u00edngua \u00e9 um dialeto com um ex\u00e9rcito e marinha&#8221;, teria dito um ouvinte de uma palestra do sociolinguista e acad\u00eamico da\u00a0l\u00edngua i\u00eddiche\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Max_Weinreich\">Max Weinreich<\/a>. Acrescento: a l\u00edngua \u00e9 a m\u00e3e de todos os genoc\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">D\u00cdVIDA HIST\u00d3RICA<\/h3>\n\n\n\n<p>No ano em que Bilac morreu, o antigo Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio e Localiza\u00e7\u00e3o de Trabalhadores Nacionais (SPILTN), fundado em 1910, quando o estado republicano virou &#8220;tutor&#8221; dos ind\u00edgenas, passou a chamar-se simplesmente Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o aos \u00cdndios. O objetivo principal era garantir a posse das terras ocupadas, mediar as rela\u00e7\u00f5es com o homem branco, impedir a opress\u00e3o e a viol\u00eancia contra esses povos. <\/p>\n\n\n\n<p>Quem foi chamado a chefiar foi C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon. Ele queria imprimir caracter\u00edsticas positivistas ao \u00f3rg\u00e3o[2. PAGLIARO, Heloisa. A revolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica dos povos ind\u00edgenas no Brasil. a experi\u00eancia dos Kaiabi do Parque Ind\u00edgena Xingu. Mato Grosso 1970-1999. (tese). Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica, Universidade de S\u00e3o Paulo, 2002.]. O mesmo positivismo que nos valeu a &#8220;ordem e progresso&#8221; de nossa bandeira, t\u00e3o maltratada pela apropria\u00e7\u00e3o dos fascistas, mas que deixou de lado o &#8220;amor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Positivismo \u00e0 parte, Rondon seria um grande defensor, nos anos 1950, da expedi\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Villas-B\u00f4as, que culminaria com o projeto defendido por ele em 1952 do Parque Nacional do Xingu. N\u00e3o sou especialista do tema e falo de uma perspectiva de cidad\u00e3o, mas seria provoca\u00e7\u00e3o demais questionar at\u00e9 que ponto as pol\u00edticas de aproxima\u00e7\u00e3o, assimila\u00e7\u00e3o e pacifica\u00e7\u00e3o foram efetivamente ben\u00e9ficas? Comente, se quiser, eu ou\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas voltando ao ano da morte de Bilac: \u00e0quela altura, o genoc\u00eddio de quatro s\u00e9culos havia levado a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena dos aproximadamente dois milh\u00f5es e meio no s\u00e9culo XVI \u00e0 dos milhares. Mesmo considerando a recupera\u00e7\u00e3o destes n\u00fameros ao longo do s\u00e9culo XX, e as tentativas de preserva\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das culturas aut\u00f3ctones, o abismo entre nossa culpa e a reden\u00e7\u00e3o \u00e9 incomensur\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">VIOL\u00caNCIA DE ESTADO E FUTURO<\/h3>\n\n\n\n<p>Em 2010 a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena ainda n\u00e3o havia passado os seis d\u00edgitos. E se pensamos nas l\u00ednguas que foram sepultadas, percebemos como a viol\u00eancia simb\u00f3lica do Estado na imposi\u00e7\u00e3o da l\u00edngua \u00e9 brutal. O censo de 2010 revelava a exist\u00eancia de 305 etnias diferentes no Brasil, com 274 l\u00ednguas ind\u00edgenas origin\u00e1rias. A etnia com o maior n\u00famero de falantes era a Tik\u00fana, com cerca de 46 mil indiv\u00edduos. A mesma etnia que hoje se v\u00ea v\u00edtima mais uma vez dos males da &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221; com a <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2020\/04\/em-luto-comunidade-tikuna-localizada-em-manaus-apela-por-testes-para-detectar-covid-19-pedido-vem-desde-fevereiro\/\">pandemia da Covid-19<\/a> e a pol\u00edtica de morte do atual Governo Federal. Desde fevereiro os tikuna pedem testes de corona v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>O silenciamento das l\u00ednguas passa pelo silenciamento dos corpos que as fazem caminhar. Os tik\u00fana s\u00e3o talvez o exemplo mais pr\u00f3ximo que temos e, infelizmente, n\u00e3o ser\u00e3o o \u00fanico. O Brasil sempre foi uma aventura improv\u00e1vel, mesmo aos colonizadores. Somos um desafio a todas as expectativas mais otimistas dos portugueses de conquistar o al\u00e9m-mar. O nosso presente, no entanto, parece sinalizar mais para uma nau dos loucos.<\/p>\n\n\n\n<p>Somos 84% dos aproximadamente 250 milh\u00f5es de falantes do portugu\u00eas do mundo. A hist\u00f3ria de nosso idioma, &#8220;em que Cam\u00f5es chorou, no ex\u00edlio amargo&#8221;, deve ser lembrada por nossa culpa. Nunca devemos esquecer que, ao celebrar o dia 5 de maio, lembramos do genoc\u00eddio, do silenciamento simb\u00f3lico de culturas, do silenciamento f\u00edsico de corpos subalternizados. S\u00f3 se tivermos essa lembran\u00e7a clara, teremos como construir um futuro para nossa l\u00edngua, a despeito da culpa, para que n\u00e3o sejamos apenas reflexo de um passado sangrento, &#8220;o g\u00eanio sem ventura e o amor sem brilho!&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo reflete sobre como l\u00edngua e viol\u00eancia de estado sempre andaram juntas, e sobre o que se deve celebrar no Dia Mundial da L\u00edngua Portuguesa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18815,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1315,563],"tags":[1309,336,197,215],"class_list":["post-18810","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","category-ensaios-cronicas","tag-blog","tag-linguistica","tag-opiniao","tag-politica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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