Classificação

Day 103, Project 365 - 2.2.10
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Fui clas­si­fi­cado no con­curso de poe­sia da Bibli­o­teca de Afo­ga­dos. O email que recebi dizia “clas­si­fi­cado”, então acho que não fui um dos vencedores.

Os poe­mas sele­ci­o­na­dos foram “Foto­gra­fia” e “Fábula”, ambos de O peso do medo. Esse último eu tinha mos­trado a um amigo que não gos­tou, tal­vez pelo cará­ter social do poema. Não sei como um livro como O peso do medo pode ficar vol­tado pro pró­prio umbigo e não ter uma cons­ci­ên­cia de classe. Nem falo de ide­o­lo­gia, por­que mesmo uma poe­sia autista guarda uma ide­o­lo­gia. Não sei tam­bém como igno­rar minha con­di­ção de classe média e não ver­ter isso no livro (essa foi outra crí­tica de outro amigo). É toda aquela his­tó­ria de que o poeta não deve neces­sa­ri­a­mente repe­tir o seu dis­curso, mas simu­lar vozes.

Revi­sei hoje para ver se tira­ria algum poema, mas a ver­dade é que com­pre­endo as fra­gi­li­da­des de alguns tex­tos e a força de outros; assumo que o livro se com­põe de todos esses filhos, com suas idi­os­sin­cra­sias. Não sei se muda­ria nada mais. Tam­bém não lem­bro de ter lido nenhum livro de poe­mas que me pegasse do iní­cio ao fim. Nem mesmo Pes­soa, nem Bau­de­laire. Acho que sem­pre haverá poe­mas que te pegam e outros que são um res­piro para a pró­xima tem­pes­tade. Tirar o fôlego do lei­tor a cada página é meio impos­sí­vel. O livro recém lan­çado de Fábio Andrade, A trans­pa­rên­cia do tempo, por exem­plo, é para mim exce­lente, mas perde muito de sua força na última parte, que tem poe­mas amo­ro­sos (a som­bra de Rilke nos avi­sando pra ter cui­dado com poe­mas de amor é uma cons­tante). Mas não acho que isso faça mal ao livro, é sim­ples­mente a sua maneira de exis­tir (se bem que não noto uma uni­ci­dade que obri­gasse Fábio a colo­car aquela última parte, sem a qual o livro ‘funcionaria’).

Enfim, con­ti­nuo dei­xando esse livro des­can­sando enquanto pro­curo uma maneira de publicá-lo.