Funcultura, academia e pesquisa

Cada vez mais acho que, no que diz respeito à gestão pública, uma das coisas mais importantes é a democratização das informações.

Recentemente, quando lançamos o Prêmio Pernambuco de Literatura  (edital disponível aqui, para quem quiser participar), fomos questionados por não existir uma linha específica para o cordel. Argumentei que, na realidade, sendo o folheto de cordel um suporte que normalmente traz textos do gênero poema, as pessoas poderiam se inscrever, sem problemas. Claro que é importante a valorização do suporte em si, então citei o fato de existir, no Funcultura (fundo estadual de cultura do estado de Pernambuco) uma linha destinada a publicação de cordel no valor de R$ 15 mil. Uma das pessoas que fez o questionamento foi enfática em dizer que ninguém sabia disso. Expliquei que o Funcultura era amplamente divulgado na imprensa escrita e na internet e que o edital sempre estava disponível no site da Fundarpe (www.fundarpe.pe.gov.br) na área de Fomento. Não adiantou: a pessoa insistiu que a divulgação era falha.

Daí que acho que um dos papéis dos gestores é garantir a ampla divulgação das ações do governo, principalmente aquelas baseadas em editais. Mês passado, uma verdadeira força tarefa visitou várias cidades do interior com a divulgação do prêmio a que me referi no começo do post. Araripina, Exu, Serra Talhada, Salgueiro, Bodocó entre outras, receberam cartazes e folhetos. Fora isso, enviamos o tempo todo para nossos contatos no interior informações sobre o prêmio, de modo a favorecer a participação de todos. E quando pensamos que a Região Metropolitana é privilegiada no acesso à informação, nos surpreendemos ao ver que as primeiras inscrições para o prêmio vieram do Agreste.

Voltando ao Funcultura, me chama a atenção que certas linhas de ação não sejam utilizadas por quem mais estaria apto a realizá-las. Por exemplo, as linhas de pesquisa cultural em Literatura deveriam ser realizadas por profissionais ligados aos cursos de Letras, não é?  Não é o que acontece: muitas vezes, pesquisas culturais envolvendo linguagem e variedades linguísticas são apresentadas por profissionais de outras áreas, o que torna seus projetos frágeis e dificilmente aptos a aprovação. Ainda assim, este ano foram R$ 153 mil reais em projetos de Pesquisa, voltados para o setor de bibliotecas e poesia popular. Ainda assim, ressente-se o Funcultura por uma participação mais forte da Academia nos editais.

Não há como ignorar que o edital do Funcultura é complexo e excludente, o que requer de qualquer estudante ou professor de Letras uma capacitação para aprender suas sutilezas de preenchimento e critérios de avaliação. Este ano a Coordenadoria de Literatura ofereceu uma capacitação que teve uma participação significativa. Pretendemos continuar no ano que vem, mas acho que é preciso fazer essa informação chegar aos cursos de Letras, para que cada vez mais aumentemos a qualidade das pesquisas incentivadas e não deixemos os recursos serem destinados a outras áreas – porque demanda há.

Cabe a todos nós, gestores e sociedade civil, divulgarmos as informações referentes a todos esses editais. A literatura agradece.

Para que todos comecem a aprender, seguem alguns links interessantes:

Último edital do Funcultura (2012/2013), clique aqui.

Resolução da Comissão Deliberativa (importante para entender os critérios de avaliação e linhas de ação disponíveis), clique aqui.

Cadastro de Produtor Cultural – CPC (documentos necessários para se inscrever), clique aqui.

Foto de fundo: Uaba Costa

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