Quem mais compra livros no Brasil?

OLIGARQUIAS EDITORIAIS

Resposta óbvia: o Estado. Seja por meio das aquisições de livros didáticos, seja para compor os acervos de bibliotecas públicas, as compras governamentais superam – e muito – as vendas no varejo. Fora da faixa escolar, a tendência é de redução do hábito de leitura e isso se reflete nas vendas: a maior fatia do varejo ainda é de livros didáticos, educativos e similares.

Esse segmento é talvez o maior oligopólio do livro: seis ou sete grupos editoriais dominam as listas de compras do governo federal e, se é importante defender o modelo que dá ao professor a prerrogativa de escolha dos livros que vai utilizar, não se pode ignorar o impacto da máquina de marketing das grandes para manter-se no lugar que ocupam. Aqui, os professores são presas.

VAREJO

Predadores, presas e prêmios

As maiores editoras se concentram entre São Paulo e Rio, e possuem catálogos que atraem o consumidor do varejo para além dos didáticos. Algumas pequenas editoras deste eixo apostam na qualidade do catálogo e almejam premiações que alavanquem seus autores – e vem acontecendo. A proximidade com grandes veículos de comunicação e com a crítica especializada ajuda na missão.

MERCADO E EXCLUSÃO

A sobrevivência longe da selva

Já as pequenas editoras espalhadas pelo Brasil profundo, longe da grande mídia e com dificuldade de inserir seus títulos na cadeia de distribuição convencional, apostam em formas alternativas de circulação, feiras de independentes, edições artesanais ou modelos paralelos de subexistência como as edições sob demanda. Há também as que se especializam em compras governamentais, seja por meio de editais ou pela venda de produtos agregados, feitos sob medida para prefeituras e estados.

Diante disso, políticas públicas que apoiem o fortalecimento da base de leitores – futuros compradores do varejo – e a inserção de pequenas editoras locais em editais públicos, o sonho das compras regionalizadas, parece ser bastante salutar para reduzir essa “desigualdade editorial”.

Texto publicado originalmente na coluna Mercado Editorial, do Suplemento Pernambuco, maio de 2018.

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