muralha

A presença da morte é algo que me experimentei poucas vezes. Perdi minhas duas avós em um espaço de três anos. Depois de minha última visita, ao ver os olhos de minha avó e seu silêncio, a incomunicabilidade que me persegue fez vir o que texto se segue. Este poema dedicado a minha minha avó, Conceição Correia de Melo.

o olho
:muralha
de tempo

disperso entre
sons
a sonda
o cateter
os humores

toda a vida
:nada além
da maca

um silêncio
um porquê
uma porta fechada

um aceno
e nada

o olho
:muralha

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