Singularidade e buracos negros

[vc_row css_animation=”” row_type=”row” use_row_as_full_screen_section=”no” type=”full_width” angled_section=”no” text_align=”left” background_image_as_pattern=”without_pattern”][vc_column][vc_text_separator title=”BURACO NEGRO” title_align=”separator_align_left” border=”no”][vc_empty_space height=”16px”][vc_column_text]Um conceito da astrofísica é muito produtivo para refletir sobre o momento que vivemos com a crise das livrarias. Sim, ela não acabou nem começou com os acordos de recuperação judicial e coisa e tal. Refiro-me ao conceito de singularidade, usado para referir-se ao ponto dentro de um buraco negro onde as leis da física perdem o sentido.

Nem a luz escapa da gravidade dentro do horizonte de eventos de um buraco negro. O mundo livreiro entrou num horizonte de eventos que não permite a alguns perceber que as normas antes aplicadas já não vigoram. Por isso, ignorar a singularidade pode atrair livrarias a um buraco negro sem volta.

Compreendê-la para adaptar-se pode ser a resposta. Há muitos exemplos do primeiro caso. Queria falar sobre um exemplo do segundo.[/vc_column_text][vc_empty_space height=”16px”][vc_text_separator title=”BOTO COR-DE-ROSA” title_align=”separator_align_left” border=”no”][vc_column_text]

Nadando contra a gravidade

[/vc_column_text][vc_empty_space height=”16px”][vc_column_text]A Boto-cor-de-rosa, especializada em literatura contemporânea, foi fundada por Sarah Rebecca Kersley em 2015, na charmosa Barra, em Salvador. Com curadoria da crítica Milena Brito, tinha um café, com programação para aproximar o público do espaço.

Mas as contas não batiam e Rebecca decidiu, em vez de desistir, reinventar-se a seguir nadando — para longe da gravidade do buraco negro. Entendeu a tempo a singularidade.[/vc_column_text][vc_empty_space height=”16px”][vc_text_separator title=”CONSUMO” title_align=”separator_align_left” border=”no”][vc_column_text]

CRISE DAS LIVRARIAS

[/vc_column_text][vc_empty_space height=”16px”][vc_column_text]A livraria como espaço físico precisa transformar-se em livraria enquanto potência, energia. E a Boto entendeu isso também. Se presa ao modelo tradicional, não repensaria o próprio conceito de ocupação: a livraria hoje se divide entre dois espaços coletivos em Salvador, participa de eventos e feiras, e mantém comercialização pela internet.

Em todo lugar, seu acervo e sua concepção curatorial. Inclusive, criaram também um selo próprio, o paraLeLo13S, que vai lançar neste mês seu  oitavo livro, girassóis estendidos na chuva, de Louise Queiroz.

Desde a marca, que nem parece com um boto, e é azul — e não rosa, dona ministra —, até a definição como “projeto cultural” e não simplesmente livraria, a Boto-cor-de-rosa nos provoca a repensar o que parece óbvio. Isso é o avesso de um animal em extinção rumo a um buraco negro. Aprendam.[/vc_column_text][vc_empty_space height=”16px”][vc_column_text]Texto publicado originalmente na coluna Mercado Editorial, do Suplemento Pernambuco,  de maio de 2019.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *